Câncer infanto-juvenil é a segunda principal causa de óbitos em pessoas menores de 19 anos no Brasil

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Segunda causa de óbito entre crianças e adolescentes no Brasil, superada somente por acidentes e mortes violentas, o câncer infanto-juvenil se apresenta, principalmente, através de três tipos da doença. Em 2017, o assunto é o tema da campanha do Instituto Nacional de Câncer (INCA), alusiva ao Dia Mundial do Câncer, celebrado no dia 4 de fevereiro, próximo sábado.

O chefe do serviço de Oncologia e Hematologia Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio, na Santa Casa e associado da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Cláudio Galvão de Castro Junior, explica as causas da doença, suas formas de identificação e tratamento. “A maioria dos casos não são hereditários, somente 10% dos pacientes têm alguma propensão que pode eventualmente ser rastreada. Os portadores de síndrome de down tem mais probabilidade de desenvolver leucemias agudas e famílias que possuem uma mutação conhecida como R337H têm mais propensão a determinados tipos de câncer”, comenta Galvão.

Leucemias agudas; linfomas, neoplasias que comprometem o sistema linfático e tumores do sistema nervoso central (tumores cerebrais), perfazem cerca de 55% dos casos de câncer. De acordo com o oncologista, há ainda os tumores ósseos e dois tipos de tumores abdominais: o neuroblastoma, que cresce na glândula suprarrenal e que pode invadir outras partes do corpo, e o tumor de Wilms, que ocorre em um dos rins da criança ou do adolescente.

Fique atento aos sintomas:

 Assim como qualquer doença, o diagnóstico precoce representa maiores chances de recuperação e cura do câncer. Segundo Galvão, é necessário suspeitar dos sintomas e dar um correto encaminhamento. “Entre os sinais mais comuns estão dor de cabeça intensa de início recente acompanhada de náuseas e vômitos. Os pais e responsáveis pelas crianças também devem estar atentos ao aumento de linfonodos (ínguas) que persistem por mais de quatro semanas e notar que estas lesões geralmente não doem “, destaca o médico.

Anemias são comuns, mas no caso do câncer, não tem explicação na alimentação, principalmente quando o surgimento é súbito. Sangramentos espontâneos são recorrentes, também. Ainda é necessário perceber o surgimento de massas no abdômen ou em outras regiões do corpo.

 Tratamento diferenciado garante a infância dos pequenos:

 O médico Cláudio Galvão explica que cada doença é tratada conforme as suas características clínicas e biológicas, após a correta classificação com exames de imagem, biópsia e cirurgia. “O uso da quimioterapia, radioterapia e cirurgia é individualizado conforme a doença e segue protocolos. Cada vez mais o tratamento será adequado ao paciente. Somente o tipo de leucemia aguda, como a leucemia linfoide aguda, pode ser tratada no mínimo de quatro diferentes maneiras”, acrescenta o oncologista.

De forma a garantir que o processo de tratamento para as crianças ocorra de forma menos nociva à sua infância, outras abordagens são utilizadas pelos médicos. “Apoiamos o tratamento com recreação, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. Sempre tentamos manter a rotina da criança e as atividades lúdicas, mesmo em situações extremas. A maioria das crianças consegue se recuperar e seguir uma vida com qualidade, inclusive, tenho pacientes que tratei há muito tempo e que se tornaram médicos, dentistas, engenheiros e advogados, além de músicos e poetas”, finaliza Galvão.

Segundo estimativas do INCA, em torno de 13 mil novos casos de câncer infanto-juvenil devem ser registrados em 2017. Para maiores informações acesse o site da Associação Médica do Rio Grande do Sul e da PlayPress Assessoria de comunicação. Foto: Marcelo Matusiak.

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