Não consegue viver longe do celular? Você pode estar sofrendo de nomofobia.

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Comumente temos presenciado uma roda de amigos em um bar, em que estão apenas de corpo presente no local e cada um se encontra grudado em seus aparelhos eletrônicos, a mesma cena ocorre entre os encontros de casais e de famílias. Jogos, fotos, vídeos, notícias, bate-papos, curtidas e comentários diversos parecem não ter limites e se apresentam sem cerimônias, em qualquer horário e em toda e qualquer situação, não importa se são reuniões, palestras, passeios, aulas, cerimônias religiosas, refeições, festas e até velórios. Os Ônibus, metrôs, aviões, salas de espera, hospitais, restaurantes, estão também repletos de usuários conectados ao mundo eletrônico. Além dos pedestres que vivem distraídos e os motoristas que provocam acidentes diariamente por não conseguirem se desconectar por nenhum momento. Claramente, a tecnologia, com o seu mundo virtual, cada vez mais tem ocupado espaços importantes no mundo real. Vivemos um período sem precedentes e estamos em um momento de transitoriedade em que ainda não estabelecemos os limites necessários de conexão. O bom senso, para quem faz uso, tem sido o mediador mais eficaz até o momento.

O celular é entendido como um elemento de contato revista simbolo, de recreação e de trabalho. A sua facilidade em ser transportado por ser portátil, permite o seu uso frequente, o que pode ser uma porta de entrada para outras adições, tornando o seu uso mais acessível e compulsivo.

As pessoas que fazem uso do aparelho celular por causa do trabalho, ou por algum outro motivo, não necessariamente tem a doença. Mas se o simples esquecimento do aparelho em casa ou o afastamento do mesmo por um período razoável já é suficiente para gerar um sofrimento, bem como a presença da perda de interesse em outras atividades, além de prejuízos de convivência humana e baixo rendimento escolares, acadêmicos, profissionais e até físicas como a perda do apetite e do sono é preciso ficar atento a um possível problema chamado de nomofobia. Derivado da expressão do inglês “no mobile phone phobia”, o nome criado define o comportamento daqueles que se angustiam diante da impossibilidade ou incapacidade de comunicar-se pelo celular ou computador. A nomofobia é, portanto, um medo incontrolável de ficar sem o celular. O que caracteriza o comportamento daqueles que sofrem com esse problema é justamente a necessidade de ter o aparelho sempre ao alcance das mãos.

 

Um desgaste expressivo na bainha de mielina (substância que envolve o neurônio e aumenta a velocidade de condução do impulso nervoso) presente em dependentes de álcool e outras drogas já é uma das consequências neuroquímica encontrada também em dependentes digitais, segundo pesquisa realizada na Coreia do Sul. Em alguns países como China, Japão e Coréia do Sul já tratam a dependência tecnológica como questão de saúde pública.

A Revista Símbolo disponibilizou de um teste rápido e simples para que seus leitores façam uma pequena avaliação para verificar se o nível de contato digital se encontra ou não no limite considerado saudável. Responda “sim” ou “não” as seguintes questões:

 

  1. ( ) Pessoas próximas a você já te alertaram quanto ao tempo que você faz uso do celular?
  2. ( ) Faz uso do celular por um tempo maior do que gostaria?
  3. ( ) Tenta disfarçar dos amigos e parentes o tempo gasto com o celular?
  4. ( ) Já ouviu queixas de como faz uso do celular?
  5. ( ) Usa com frequência o aparelho quando se sente sozinho?
  6. ( ) Tem insônia por usar excessivamente o celular?
  7. ( ) Já usou o celular para se sentir melhor emocionalmente?
  8. ( ) Quando precisa ficar longe do aparelho se preocupa com possíveis ligações perdidas?
  9. ( ) Tem sensação de vazio sem o celular?
  10. ( ) Já deixou de atender a situações urgentes para fazer uso do celular?
  11. ( ) Já sofreu prejuízos por perdas ou atrasos em atividades por dedicar o tempo ao aparelho?
  12. ( ) Acha angustiante desligar o celular?
  13. ( ) Quando se sente deslocado em alguma situação, você utiliza o celular para se sentir melhor?
  14. ( ) Sua produtividade já foi afetada por fazer uso do celular?
  15. ( ) Fica ansioso ou irritado se precisar fazer uso restrito do aparelho?
  16. ( ) Acha que nunca dedica tempo suficiente no celular?
  17. ( ) Não consegue diminuir o tempo de uso do aparelho?

 

RESULTADOS
Até 7 respostas positivas: Fique atento! Você pode estar começando a fazer uso excessivo do aparelho. Momento para reduzir um pouco o tempo dedicado ao celular.

 

De 8 a 11 respostas positivas: É provável que o uso do celular já ultrapasse o limite aceitável e já esteja causando transtornos e desconfortos em sua vida.

 

De 12 a 17 respostas positivas: Você perdeu completamente o controle do uso do celular, certamente já enfrenta prejuízos em muitos aspectos e o auxílio profissional é indicado.

 

Tratamento

 

Há especialistas que associam a manifestação da nomofobia exatamente ao caráter das novas gerações, cada vez mais imediatista e ansiosa. Quando se pensa no impacto psicológico desse tipo de comportamento, é imprescindível considerar o enfrentamento de um quadro complexo, já que a nomofobia quase nunca aparece sozinha. O indivíduo normalmente já vem de uma situação de ansiedade, stress ou transtornos de humor/personalidade, síndrome do pânico, bipolaridade, entre outros. Tratando essas doenças com remédios e terapia, é possível ficar de bem consigo mesmo e manter o celular desligado por um bom tempo, sobretudo à noite, desfrutando de um sono tranquilo. Além de resgatar as relações e prazeres importantes, saudáveis e necessários da vida real.

Marjorie

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