O ANJO DE CÂNCER – caramujos de afeto

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Independente de estar localizado no meio da Roda Zodiacal, Câncer não pode ser considerado um signo equilibrado, por excelência. Não que não seja… vários nativos deste signo até podem ser – no entanto, seu equilíbrio deriva muito mais do isolamento, afastamento voluntário e distanciamento do mundo por conta própria do que por análise ou decisão coerente sobre os fatos, resultando em carência.

A carência atribuída a Câncer pode ser associada ao que a maioria das pessoas que convivem neste mundo conturbado da atualidade apresenta. O comportamento de espoliação que esgota os recursos da Terra, em ampla dimensão, atingindo a ideia constante de lucros excessivos por minorias poderosas, evidencia a perda na crença e nos valores éticos e morais da humanidade, eliminando resquícios de esperança e desnorteando os indivíduos.

Câncer simboliza drasticamente a falta de perspectiva futura, uma vez que perdemos os alicerces de representação da família, do emprego a longo prazo e de uma vida mais calma e segura. Não se vislumbra, no fim do túnel, novos valores éticos que possam substituir os que foram eliminados. Talvez, por isso, o encontro de tantos doentes, pessoas sozinhas, deprimidas ou drogadas e alcoolizadas, que fogem (Câncer escondido em sua couraça) das escolhas conscientes, por falta de forças para reagir contra o tempo que nos engole a todos.

No entanto, ao estarmos vivendo o período de Câncer, emerge o princípio que o eleva a assumir responsabilidades perante o próprio caminho. Não se trata de encontrar soluções prontas, herdar soluções e aplicá-las ao seu meio. Não é ficar preso ao passado – não – é construir as próprias soluções. Embora possa ser conferido valor ao que se herda, à família, às origens, o verdadeiro trabalho de Câncer é passar a limpo as influências recebidas, conservando as que se coadunam com sua essência e descartando as demais. Assumir essa tarefa é deixar de culpar pai e mãe por sermos o que somos, colocando em nós a responsabilidade de sermos o que queremos ser. É deixar de chorar pelo amor que nos faltou, que pedíamos e nunca chegou, encolhidos em nossa caminhada inocente. Ao contrário, é a certeza que podemos respirar e emanar luz, sentindo que nenhuma cadeia é perpétua.

Já que se considera estar tudo ligado, tanto no céu quanto na terra, podemos associar o signo de Câncer às cartas de baralho, observando a relação com o naipe de Copas: emoções, vida afetiva, paixões, sentimentos puros, encontros amorosos, autoestima, namoro e compromissos. Podemos também estar atentos à pintura de Leonardo da Vinci, na tela “A Santa Ceia”. Nas considerações astrológicas sobre o quadro, a disposição das figuras dos apóstolos à direita e à esquerda de Jesus Cristo, Felipe seria o representante do signo de Câncer. Leonardo da Vinci pintou Felipe com as mãos sobre o peito, atitude tipicamente canceriana. Evidencia a representação própria do signo de Câncer: sentimental, maternal, acolhedor e sempre pronto a abrir seu peito para acolher, fraternalmente a quem recorrer a ele.

A Lua, quando está em Câncer, derrama sobre as pessoas um clima mais ameno e afetuoso, cheio de emoções, gerando impulsos de proteção. O que, geralmente, não acontece nos relacionamentos Câncer-Câncer. Os traços negativos e as más qualidades do signo tendem a se multiplicar. No entanto, nem tudo está perdido: relações são sempre únicas. Traços positivos de caráter e personalidade podem crescer de intensidade, desde que ambos estejam dispostos a ultrapassar obstáculos do signo solar que compartilham, juntos.

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